“Mas isso não tem sentido. Vejam o que acontece no mundo: muitas vezes os bons são castigados, e não os maus; e os maus são premiados, e não os bons. É o que digo: isso também é ilusão.” (Eclesiastes 8:14, NTLH). “Todas as vezes que tentei me tornar sábio e entender o que acontece neste mundo, compreendi que a gente pode ficar acordado dia e noite e mesmo assim nunca será capaz de entender o que Deus faz. Por mais que a gente se esforce, nunca entende. Os sábios podem dizer que conseguem compreender, mas na verdade eles também não entendem.” (Eclesiastes 8:16-17, NTLH).
Quando olhamos as coisas que acontecem a nossa volta, quando observamos os acontecimentos, os fatos, a realidade não é o julgamento que fazemos? Não são estes os motivos de nosso questionamento? Por que os maus, as pessoas que enganam, que roubam são as que prosperam? Não questionamos a justiça do que ocorre no mundo? Não questionamos toda a miséria e desgraça dos homens? Não questionamos por que tantas crianças sofrem tanto dano? Por que dos assassinos? Por que uma pessoa boa morre? E queremos culpar a Deus por toda “desgraça” e situações ruins que enfrentamos, seja no serviço, seja com os amigos? Não é verdade? E perguntamos: onde está Deus que não vê isso?
Seremos capazes de compreender? Seremos capazes de entender o porquê de tantas coisas que não entendemos? Não, não entenderemos. Por mais que tentemos olhar com os olhos humanos, segundo a nossa justiça, jamais entenderemos. O nosso erro está em não compreender a natureza de Deus, em não discernir o que o nosso Deus faz, sua justiça, seu amor, sua compaixão e misericórdia.
Se quisermos olhar o nosso Deus da mesma maneira que olhamos o mundo, segundo a nossa justiça, segundo o nosso senso do que seja certo ou errado, de forma algum entenderemos Deus, sua justiça, seu amor, sua compaixão.
Deus não é culpado e nem a causa de tantos males no mundo. Tudo isso é resultante do próprio homem. Como foi escrito por Paulo aos romanos em sua carta: “E, como não querem saber do verdadeiro conhecimento a respeito de Deus, ele entregou os seres humanos aos seus maus pensamentos, de modo que eles fazem o que não devem. Estão cheios de todo tipo de perversidade, maldade, ganância, vícios, ciúmes, crimes de morte, brigas, mentiras e malícia. Caluniam e falam mal uns dos outros. Têm ódio de Deus e são atrevidos, orgulhosos e vaidosos. Inventam maneiras de fazer o mal, desobedecem aos pais, são imorais, não cumprem a palavra, não têm amor por ninguém e não têm pena dos outros. Eles sabem que o mandamento de Deus diz que aqueles que fazem essas coisas merecem a morte. Mas mesmo assim continuam a fazê-las e, pior ainda, aprovam os que fazem as mesmas coisas que eles fazem.” (Romanos 1:28-32, NTLH).
Poderia Deus acabar com toda a maldade, com tudo que há de errado no mundo e realizar tudo segundo a sua justiça? Sim, mas para isso, implicaria na destruição do homem, na sua condenação e morte definitiva; mas fez Deus isso? Não. Ele, ao contrário, revelou a sua justiça. O homem que estava morto em seus delitos e pecados, encontrou uma escapatória. Nós homens, somos tirados da morte, da vida separada de Deus para o novo nascimento, para herdar da natureza de Deus, para compartilhar da sua justiça, através de Jesus Cristo, quando morreu na cruz pelos nossos pecados. Fez isso não porque merecemos, mas para revelar a verdadeira justiça, que está em dar, conceder ao que não tem, o que ele precisa. Além de revelar justiça, que foi dar vida ao homem, Deus fez isso, por nós manifestando o seu amor e a sua graça. E por graça, devemos compreender que é o fazer algo por alguém sem que o mesmo merecer.
Por isso, quando compreendemos o amor de Deus, sua graça salvadora, recebemos o que ele nos oferece, devemos como cidadãos do reino, viver segundo a natureza e a justiça de Deus. Quando andamos segundo a justiça de Deus, nós fazemos o que Deus deseja que nós como homens façamos. Revelar a sua natureza, ou seja, a sua justiça, a sua graça para com todas as vidas. Fazemos isso, não segundo o que pensamos, ou segundo a justiça dos homens, mas segundo a justiça divina, revelando graça, amor, compaixão e misericórdia para com todos os homens. Não simplesmente para quem merece, para quem consideramos justos. Da mesma forma que Jesus morreu por todos, devemos revelar amor para com todas as pessoas que nos cercam. Merecendo elas ou não.
Não podemos atribuir a Deus o que é nossa responsabilidade, e nem pedir a Ele que haja conforme nós achamos que seja o correto. Devemos sim, aprender a conhecer a Deus e viver segundo o que Ele acha, segundo a sua justiça e segundo o seu amor. Sejamos imitadores de Deus, como filhos amados. Sejamos, portanto, filhos, filhos que amam ao Pai e querem que a sua natureza seja revelada.