Ceia do Senhor

Texto base: 1 Coríntios 11:17-34, destaque: “e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (1 Coríntios 11:24, BEARA) e “pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.” (1 Coríntios 11:29, BEARA)

Compreendemos o significado da ceia do Senhor (temos discernimento do que significa) e porquê celebramos? Nós com a nossa tradição religiosa, com o conhecimento e com a nossa formação religiosa, transformamos o que não é importante e desprezamos o que deveríamos valorizar e santificar. O pão e o vinho não é mais importante que o significado do ato de comer e beber.

Nos ensinam que devemos analisar a nós mesmos, mas dão o foco no pecado. Se estamos em pecado então não podemos comer a ceia do Senhor em pecado. Se pensamos deste jeito, não poderemos comer nunca a ceia do Senhor, pois somos pecadores, cometemos pecado. Quando Paulo fala para cada um analisar a si mesmo, ele não está falando de estarmos cometendo pecado, Paulo fala de um pecado que vai contra a natureza de Deus, o fato de não discernirmos o corpo.

Precisamos sempre lembrar que quem nos santifica, ou seja quem nos apresenta santos, inculpáveis e irrepreensíveis diante do trono da graça é o nosso Senhor Jesus Cristo. Nós somos pecadores, precisamos, sim, morrer para a nossa natureza humana. Mas o que é pecado? Esta é a pergunta que sempre fazemos. Pecado é quando os nossos atos, nossas atitudes, o que fazemos, o que falamos não está acertando o alvo. Mas o que ou quem é o alvo? Nosso Senhor Jesus, Ele é o nosso alvo. Se nossas vidas não traduzem as atitudes do mestre, nós não temos acertado o alvo, este é o princípio básico de nossas vidas, quando vivemos diferente do nosso alvo, vivemos fora do propósito de Deus e, portanto, em pecado.

O que Jesus fez na ceia? Ele pegou o pão, deu graças, partiu e deu aos discípulos. O que Eva fez no paraíso e o que nós fazemos ou temos feito: Nós comemos do que recebemos e depois repartirmos o que “sobrou”, se “sobrou”. Se nossas atitudes, se cada gesto têm por objetivo, atender primeiro a nossa necessidade, nós não estamos agindo como o Senhor. Durante toda a sua vida, o seu propósito, foi se dar em favor de nós. Ele nos deu o exemplo do que deve ser a nossa vida.

Por isso a pergunta: Por que vamos ao culto? Vamos ao culto para espiar a nossa consciência, ou vamos ao culto por causa dos irmãos? Somos capazes de suportar o culto por causa dos irmãos, para lhes dar um abraço, ou suportamos os irmãos, o pregador por causa do culto por causa de nossas consciências?

Discernir o corpo está no fato de compreendermos que não existimos para nós mesmos, existimos para o corpo. Não vivemos para nós, mas para os outros, não somos nossos, mas dos outros. Podemos suportar um culto, por causa dos irmãos que queremos ver, abraçar e nos regozijar com sua companhia com o relacionamento e com quanto posso aprender com ele, mesmo que não concorde com ele. Esta é a natureza do corpo. Este é o objetivo do corpo de Cristo, o local de comunhão é um local para dividir, ser um lugar para se dar, dar em favor dos outros; e não para pensarmos em nós mesmos, não para buscarmos os nossos interesses. A vida de corpo não se revela no culto, mas na comunhão que temos, em como vivemos o nosso dia a dia, em como suportamos e nos movemos em favor dos outros.

Quando vivemos o corpo, pedimos a Deus para nos mudar para que possamos compreender os irmãos, e não para que Deus mude os outros. Repartimos o Pão, ou seja, o ato de dividir é para lembrar que comemos e vivemos do Senhor Jesus.