“Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim. Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos. Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe. Até as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim. Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.” (Jó 19:13-19, BEARA). “Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu.” (Jó 19:21, BEARA). “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19:25, BEARA).
Precisamos entender o nosso papel neste mundo como cristão. Muitas vezes agimos como os amigos de Jó, acusando, apontando e sempre referindo a necessidade de arrepender do pecado; como se tudo se resumisse a pecado. O nosso papel não é de sermos julgadores dos homens, acusadores, juiz; mas sim, precisamos ser inclusivos, não seletivos, isto é, precisamos acolher as pessoas, sermos um porto seguro, oferecer a paz, o consolo e a vida que provêm do criador. Não é nosso papel julgar e apontar; mas sim, acolher, trazer, juntar. Separar, ser seletivo é papel de nosso Deus que o realizará no momento certo segundo a sua justiça.
Nós como membros do corpo de Cristo temos sido mais juizes, mais donos da obra que o nosso Deus. Nós estabelecemos regras, dizemos quem pode ficar e quem deve sair. Nós temos agido mais como prosélitos, como religiosos, que como cristãos.
Diante de situações como a que os amigos de Jó vivenciaram não lhes era o papel de julgar e conclamar Jó ao arrependimento; mas sim, era o papel de compadecer, de ser amigo, de ser consolo, de trazer alívio em um momento de dor.
Quantos amigos temos, quantos irmãos que estão pedindo para compadecermos, para sermos um ombro amigo, e temos agido como algozes? Quantos necessitam que estejamos ao seu lado e nós, pela nossa atitude puritana e separatista, nos afastamos, pois não queremos nos contaminar, deixando o abandonado e só em sua angústia e dor?
Quem irá se compadecer? Quem irá ao socorro destas pessoas? Deus? Sim, somente ele; mas como ele manifesta a sua compaixão, o seu amor? Somente através dos seus filhos. Se somos filhos, se temos experimentado da graça e do amor de Deus, devemos rever as nossas atitudes, devemos nos posicionar de forma diferente diante da desgraça e sofrimento alheio, ou mesmo diante de sua ignorância. Devemos, sim, como o nosso Deus procedeu, agir. Devemos oferecer a amizade, o consolo, a paciência em ouvir, em oferecer vida e paz.
Precisamos parar se sermos religiosos, prosélitos e sectários. Precisamos parar de viver uma vida cheia de teorias e praticar a palavra, o evangelho de nosso Senhor Jesus. Precisamos parar de sermos egoistas, hipócritas religiosos; e sermos amigos, irmãos, levando a quem necessita da vida vida de Deus, de sua paz, seu consolo e em especial da sua compaixão. Somos a expressão do Deus vivo, somos embaixadores, somos filhos, e por sermos filhos, devemos ser imitadores de Deus. Tenhamos uma nova atitude, uma atitude alinhada com o criador, com quem tem nos provido de vida, paz e consolo; pois ele é a nossa rocha firme, nossa esperança.